" Nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além de qualquer experiência, Teus olhos tem o teu silêncio, no seu gesto mais frágil.
Há coisas que me encerram ou que eu não ouso tocar, porque estão demasiado perto.
Teu mais ligeiro olhar facilmente me discerra, embora eu tenha me fechado como dedos..
nalgum lugar.
Me abre sempre pétala por pétala, como a primavera abre, tocando sutilmente, misteriosamente a sua primeira rosa, sua primeira rosa.
Ou se quizeres me ver fechado eu e minha vida nos fecharemos belamente, de repente.
Assim como o coração dessa flor imagina a neve cuidadosamente descendo em toda parte..
Nada que eu possa perceber nesse universo iguala o poder de tua intensa fragilidade,
cuja textura compele-me com a cor de seus continentes, restituindo a morte e o sempre cada vez que respira.
Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre, só uma parte de mim compreende que a voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas.
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas."
(Nalgum lugar, cantor: Zeca Baleiro)
Bom.. não sei, essa música me lembrava a menina.. ela estava na listinha de coisas dela, mas, depois do último encontro eu a ouvi de novo e não consegui não sentir a presença da Margot nas frases, junto com a menina.
Me digam se isso faz sentido pra vocês.. :)
Já lembrando do último encontro (e também primeiro do ano), eu tenho bastante coisa pra contar.. todos nós procuramos resgatar as lembranças e a memória de cada personagem, relembrando os jeitos, costumes, linguagens corporais, tudo..
E a menina apareceu muito rapidamente em mim, é como se ela ficasse esperando e esperando sentada em um banco de cimento, até a hora que eu a chamo. Depois de todas as discussões eu não pude evitar o contato mútuo entre ela e a margot, e entre os outros personagens também, houve muito mais clareza e a menina ganhou mais vida, mesmo sendo também no sentido da sua morte (irmã mais nova de Margot). Ela sendo um imaginário e essa mistura de menina qualquer e passado de Margot proporcionou uma pincelada a mais no que ela já era, e nós não sabíamos..
agora ela vive mesmo em um "universo paralelo" seja o tempo, seja o inconsciente ou seja o passado, ela é sim um personagem extremamente surrealista.
Sobre a sequência do ensaio, a menina interagiu com todos, ela dialogou com a menina azul e foi tão natural a ponto dela ter a sensação de já ter passado por aquela cena muitas vezes, já havia brincado ali. Com a Margot o contato foi muito visual e "desafiador". A menina chamava pela Margot, que não escutava ou não entendia qual era a direção da voz, e as risadas e quando os olhares se cruzavam era como se fosse só uma parede, sem conseguirmos entender quem é que estava conseguindo ver o que, ou quem.
A menina viu o gato. Ela viu primeiro algo que não estava nítido na mente dela enquanto ela brincava pelo seu jardim e encontrava essas coisas, mas, assim que ela se atreveu a dar um simples sorriso, ela viu o gato, e ele não gostou de vê-la. Ela se sentiu expulsa do lugar onde brincava, como se realmente deveria voltar pra sala e ligar a Tv. Mas que sala? pra onde ela iria? Ela sentiu um pouco de medo, e o gato ficou imóvel.
Ela resolveu dormir, já que dormindo ela pensa passar para outro plano, outro lugar.
Esse foi o fim do ensaio.. pudemos ver as outras personagens trabalhando e a transformação que vêm acontecendo com o grupo.. pra mim teve muita clareza, eu vi os personagens enquanto era a menina, tinham cores e exalavam sensações e intenções pra ela..
Tô empolgada, quero que quarta chegue logo.
Um beijo meus amores!
Belaisa.
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